Quasares gigantes: astrônomos acham 53 jatos recordes
Quasares gigantes voltaram aos holofotes depois que uma equipe de pesquisadores da Índia catalogou 53 novos exemplares com jatos de matéria que se estendem por até 7,2 milhões de anos-luz, aproximadamente 50 vezes o diâmetro da Via Láctea. O trabalho, divulgado no The Astrophysical Journal Supplement Series, usou dados do Radiotelescópio Gigante de Ondas Métricas (GMRT) para revelar detalhes inéditos sobre esses colossos cósmicos.
Como a equipe identificou os jatos de milhões de anos-luz
O levantamento analisou 369 quasares de rádio recém-catalogados e, entre eles, detectou 53 estruturas gigantes. O segredo foi observar em baixa frequência, faixa em que o plasma “envelhecido” dos lóbulos brilha mais forte e fica visível mesmo em meio ao ruído de fundo. Com cerca de 90 % do céu visível coberto, a combinação de grande área e sensibilidade do GMRT permitiu mapear a tênue “ponte” que conecta os dois lóbulos de cada quasar.
Esses jatos, impulsionados por buracos negros supermassivos que giram em ritmo frenético, praticamente alcançam a velocidade da luz. “Estamos falando de algo entre 20 e 50 diâmetros da Via Láctea alinhados lado a lado”, explicou o pesquisador Souvik Manik ao portal Space.com.
O que os novos quasares ensinam sobre o Universo primitivo
A equipe observou que 14 % dos quasares gigantes vivem em ambientes densos, como aglomerados de galáxias. Nesses locais, o gás circundante pode frear, curvar ou até interromper os jatos. Em regiões mais vazias, eles se expandem livremente pelo espaço intergaláctico. Essa interação explica por que os dois lados de um mesmo quasar raramente têm o mesmo tamanho ou brilho: o meio onde crescem é desigual.
Outro achado importante é que objetos mais distantes – e, portanto, mais antigos – apresentam assimetria acentuada. Isso sugere um Universo jovem mais caótico, rico em gás que distorcia os jatos com frequência. Para os astrônomos, entender essa dinâmica ajuda a “reconstruir” o ambiente cósmico de bilhões de anos atrás e a evolução das primeiras galáxias ativas.
A descoberta reforça o papel de levantamentos de rádio de baixa frequência na busca por quasares gigantes e abre caminho para estudos sobre como buracos negros supermassivos influenciam a formação de estruturas em escala galáctica. Para quem acompanha tendências de inovação, vale lembrar que grandes saltos científicos costumam inspirar novas tecnologias de processamento de dados e inteligência artificial – e nós continuaremos analisando esses impactos em nossa editoria de Futuro e Tendências.
Crédito da imagem: Olhardigital
Fonte: Olhardigital