Meta ocultou impacto na saúde mental, mostram arquivos
Meta ocultou evidências sobre saúde mental de usuários, de acordo com documentos judiciais que apontam a interrupção de um estudo interno depois de resultados negativos para crianças e adolescentes.
Estudo interno ficou na gaveta
Batizado de “Projeto Mercúrio”, o levantamento conduzido pela própria Meta verificou que pessoas que abandonaram o Facebook por apenas uma semana relataram menor depressão, ansiedade, solidão e sentimentos de comparação social. Após essas conclusões, o programa foi encerrado e os dados nunca chegaram ao público.
Em nota divulgada no sábado, Andy Stone, porta-voz da empresa, justificou a decisão alegando “falhas metodológicas” no estudo e afirmou que a companhia vem aprimorando recursos de proteção.
Processo coletivo expõe acusações detalhadas
O escritório Motley Rice processa Meta, Google, TikTok e Snapchat em nome de distritos escolares norte-americanos. A peça jurídica sustenta que as plataformas, sobretudo a Meta, teriam:
- Estimulado crianças menores de 13 anos a criarem contas;
- Falhado no combate a conteúdos de abuso sexual infantil;
- Priorizado o engajamento de adolescentes durante o horário escolar;
- Financiado entidades para defender publicamente a segurança dos produtos.
Segundo documentos citados no processo e divulgados pela agência Reuters, a empresa demorava a banir perfis flagrados em tentativas de tráfico sexual e manteve ferramentas de segurança consideradas “raramente usadas” por escolha deliberada. Há ainda registros internos indicando que otimizar o feed para adolescentes aumentava a oferta de conteúdo nocivo, mas a estratégia foi mantida para preservar métricas de crescimento.
Mensagens de 2021 mostram Mark Zuckerberg afirmando que a segurança infantil não figurava entre suas prioridades, atrás de iniciativas como o metaverso. Solicitações de executivos para ampliar recursos de proteção também teriam sido ignoradas.
A Meta contesta as alegações e afirma que o processo “distorce” seus esforços de segurança. A companhia entrou com pedido para que os documentos permaneçam sob sigilo, e uma audiência no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia está marcada para 26 de janeiro.
O caso reforça a pressão regulatória sobre gigantes de redes sociais e serve de alerta para criadores de conteúdo e donos de sites que dependem desses ecossistemas para monetização. Para acompanhar outras notícias que impactam negócios digitais, visite nossa editoria de Tecnologia e Negócios Digitais e mantenha-se informado.
Crédito da imagem: Olhardigital
Fonte: Olhardigital