PC da NASA: como são os supercomputadores reais
PC da NASA é um termo popular para designar máquinas absurdamente potentes, mas, na prática, a agência espacial opera verdadeiros clusters de alto desempenho, muito além de qualquer desktop gamer.
Por que o “PC da NASA” é só um meme?
No universo gamer, chamar um computador de “PC da NASA” significa elogiar hardware topo de linha: processador Ryzen 9 ou Core i9, placa RTX 5090 e 128 GB de RAM. Mesmo custando até US$ 5 mil (≈ R$ 28 mil), esse setup entrega cerca de 0,1 petaflop de desempenho teórico. Parece muito, mas está a anos-luz dos números da agência.
O que equipa os supercomputadores da agência
A NASA mantém dois polos de computação de alto desempenho: o NASA Advanced Supercomputing (NAS), no Ames Research Center, e o NASA Center for Climate Simulation (NCCS), em Maryland. Lá funcionam sistemas como Pleiades, Aitken, Electra, Discover e o recém-chegado Cabeus.
• Pleiades: 228 mil núcleos, quase 1 PB de RAM e 7 petaflops.
• Aitken: 370 mil núcleos e 15,6 petaflops.
• Cabeus: CPUs AMD EPYC e quase 3 milhões de núcleos GPU NVIDIA A100/H100, somando 20,6 petaflops.
Conectadas por redes InfiniBand de baixa latência, essas máquinas compartilham mais de 90 PB de armazenamento online e 1 EB arquivado, possibilitando simulações de clima, cálculos orbitais e modelagens de foguetes. Segundo dados reunidos pelo TOP500, o desempenho bruto da NASA não briga por recordes globais, mas entrega confiabilidade 24/7, requisito crítico em missões espaciais.
PC gamer x HPC: números que explicam a distância
Comparando um desktop de elite a Cabeus, a diferença é gritante:
- Processamento: 16 núcleos x 25.200 CPUs + 2,9 M GPUs
- RAM: 128 GB x 206 TB
- Performance: 0,1 PF x 20,6 PF (≈ 200 vezes mais)
- Custo: R$ 28 mil x > US$ 50 milhões
Além do hardware, entra em cena um Linux científico otimizado para paralelismo massivo, resfriamento líquido industrial e fornecimento elétrico dedicado — recursos inviáveis em residências.
Aplicações que exigem poder extremo
Os clusters processam simulações climáticas globais, modelam ruído de aeronaves, traçam rotas de missões robóticas e investigam fenômenos astrofísicos. Cada petaflop economiza tempo, reduz riscos e eleva a precisão nas decisões da agência, conforme explica o time do High-End Computing Capability.
Em resumo, o “PC da NASA” que virou piada na web não passa de uma hipérbole. Os supercomputadores da agência são infraestruturas científicas formadas por centenas de milhares de nós, projetadas para tarefas que vão muito além de rodar um jogo em 4K.
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Crédito da imagem: Adrenaline
Fonte: Adrenaline