O usuário brasileiro ganhou uma nova porta de entrada para a inteligência artificial da OpenAI. Chegou ao país o ChatGPT Go, versão intermediária entre o plano gratuito e o ChatGPT Plus. O lançamento vem acompanhado de um acordo inédito com o Nubank que libera a ferramenta sem custo por até um ano, dependendo do nível de relacionamento do cliente com o banco digital.
Para quem cria conteúdo, monetiza blogs ou gerencia campanhas de marketing, a novidade significa ampliar o uso diário do GPT-4o (apelidado de “GPT-5” pela OpenAI) sem a tarifa de US$ 19 do plano Plus. A cobrança no Brasil será de R$ 39,99 mensais, mas boa parte do público poderá testar as vantagens sem pagar nada no início — um movimento que promete aumentar ainda mais os 50 milhões de usuários mensais do ChatGPT no país.
ChatGPT Go: mais limite, menos preço
Na prática, o ChatGPT Go oferece os seguintes incrementos sobre a modalidade gratuita:
- Até 10 vezes mais mensagens usando o modelo GPT-4o.
- 10 vezes mais gerações de imagem por dia.
- 10 vezes mais uploads de arquivos ou imagens.
- 2 vezes mais memória para respostas personalizadas.
Essas melhorias custam R$ 39,99 ao mês, valor que representa uma economia aproximada de 65% frente aos US$ 19 (cerca de R$ 105) do ChatGPT Plus. É, portanto, um plano “econômico premium”: não entrega tudo o que o Plus tem — como acesso prioritário quando os servidores estão sobrecarregados —, mas rompe a barreira de uso apertada do modelo grátis.
Nubank banca a assinatura: até 12 meses sem pagar
O acordo com o Nubank funciona em três níveis:
- Clientes Nubank (conta ou cartão convencional): 1 mês grátis.
- Assinantes Nubank+ (programa de benefícios): 3 meses grátis.
- Cartão Ultravioleta: 12 meses grátis.
A gratuidade vale apenas para quem nunca assinou qualquer plano pago do ChatGPT. Segundo o banco, a iniciativa “posiciona o Nubank como porta de entrada para inovações que tornam a vida do cliente mais fácil”. A oferta chega depois de a OpenAI firmar parceria semelhante com a Claro e anunciar a abertura de um escritório em São Paulo.
Imagem: Internet
Brasil em destaque na estratégia global da OpenAI
Com aproximadamente 50 milhões de usuários mensais, o Brasil figura no top 3 de países que mais conversam com o ChatGPT. A preferência local por bancos digitais — o próprio Nubank soma mais de 90 milhões de clientes — cria terreno fértil para a empresa ampliar sua base sem depender apenas da assinatura individual.
Muito além do “brinde”: o que a jogada significa para bancos digitais, criadores e anunciantes?
A parceria OpenAI–Nubank estabelece um novo tipo de diferenciação no concorrido mercado de serviços financeiros: em vez de apenas cashback ou milhas, o banco oferece capacidade computacional. Para criadores de conteúdo e profissionais de marketing, isso se traduz em mais experimentação com IA generativa sem abrir a carteira — ponto decisivo para pequenos projetos que ainda estão validando retorno sobre investimento.
Do lado da OpenAI, a estratégia reforça um canal de aquisição em massa: cada cliente Nubank que ativar o benefício entra em um ecossistema que, depois do período gratuito, tende a migrar para assinaturas pagas. Já para concorrentes diretos, a colaboração sinaliza que IA generativa pode virar item de cesta básica de serviços bancários e de telecom — e quem ficar parado corre o risco de se tornar irrelevante.
No curto prazo, espera-se aumento expressivo no tráfego proveniente de buscas por “ChatGPT Go” e por tutoriais ligados ao Nubank, além de picos de uso do modelo GPT-4o durante a janela promocional. No médio, a linha divisória entre “banco” e “plataforma de tecnologia” ficará ainda mais tênue, abrindo espaço para novos pacotes que combinem finanças, IA e vantagens em marketplaces de afiliados. Para o usuário final, o resultado imediato é simples: mais poder de criação na mão, e de graça — pelo menos por enquanto.