Enquanto a Apple ainda colhe os frutos do hype em torno do Vision Pro, a Samsung decidiu encurtar a distância — tanto tecnológica quanto financeira — com o recém-anunciado Galaxy XR. Apresentado no evento Galaxy Worlds Wide Open em 21 de outubro, o headset chega por US$ 1.799 (cerca de R$ 9,7 mil), praticamente metade do valor cobrado pelo rival da Apple.
Além do preço, o aparelho estreia o Android XR, sistema operacional criado pela tríade Samsung, Google e Qualcomm. E, para não ficar apenas no “mais do mesmo”, o gadget já sai de fábrica com o Gemini, modelo de IA generativa do Google, funcionando como assistente multimodal nativo. Isso posiciona o dispositivo não só como alternativa de consumo, mas como termômetro de para onde caminham produção de conteúdo, publicidade e experiências imersivas.
Primeiro device com Android XR e IA integrada
O Galaxy XR inaugura o Android XR, versão do sistema projetada para realidade estendida (XR). A plataforma combina recursos do Android tradicional com APIs dedicadas a rastreamento de mãos, olhos e ambiente. Com o Gemini embutido, o headset reconhece contexto visual e sonoro, oferecendo respostas proativas — algo semelhante ao que o Google já ensaia em smartphones com o Circle to Search, mas agora em ambiente 100% imersivo.
Especificações técnicas e design voltado ao uso prolongado
Chipset: Snapdragon XR2+ Gen 2, otimizado para IA embarcada.
Memória: 16 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno.
Display: painéis Micro-OLED 4K, um para cada olho.
Câmera: sensor de 6,5 MP para fotos e vídeos 3D.
Autonomia: bateria externa (302 g) para até 2,5 h de uso contínuo.
Peso do headset: 545 g, com distribuição de pressão entre testa e nuca.
Conectividade: Wi-Fi 7 e reconhecimento de íris para desbloqueio.
O protetor de luz removível melhora a imersão ao bloquear luminosidade externa, enquanto o conjunto de microfones filtra ruído ambiente. A separação da bateria deixa o corpo principal mais leve, solução que deve agradar a quem pretende usar o equipamento em rotinas de trabalho ou longas sessões de entretenimento.
Experiências imersivas: de múltiplos jogos ao Project Pulsar
A integração com serviços do Google salta aos olhos: YouTube, Google Maps, Google Fotos e Circle to Search já aparecem no sistema, todos assistidos pelo Gemini. No campo do entretenimento, o usuário pode:
- Transmitir partidas esportivas simultâneas, como se estivesse diante de várias telas ou dentro do estádio.
- Receber dicas em tempo real do Gemini enquanto joga, transformando a IA em “treinador” pessoal.
- Criar e editar vídeos 3D diretamente nos óculos via Project Pulsar, iniciativa conjunta com a Adobe.
Preço e disponibilidade
O Galaxy XR começou a ser vendido nos Estados Unidos e na Coreia do Sul por US$ 1.799. A Samsung não divulgou previsão para a América Latina. Para comparação, o Apple Vision Pro custa US$ 3.499.
Imagem: Samsung
Além do Preço: por que o Galaxy XR pode acelerar o jogo para criadores, marcas e anunciantes
A Samsung não está apenas lançando “mais um headset”; está empacotando IA, ecossistema Android e hardware dedicado em uma oferta que democratiza o acesso à realidade estendida. Ao cortar o preço quase pela metade em relação ao Vision Pro, a marca diminui a barreira de entrada para desenvolvedores, estúdios de mídia e até afiliados que dependem de novas vitrines para seus produtos.
Para criadores de conteúdo, a presença do Gemini embarcado significa workflows mais curtos: captura, edição 3D e publicação podem acontecer dentro do mesmo dispositivo. Isso tem potencial de gerar formatos inéditos de anúncios imersivos e experiências de compra que não dependem mais da tela 2D do celular ou do desktop.
Já para profissionais de marketing, o Galaxy XR sinaliza a chegada de inventários publicitários em ambientes XR baseados em Android — um território onde a distribuição é historicamente mais aberta do que no ecossistema Apple. Se o Google integrar AdSense ou produtos similares ao Android XR, veremos um novo tipo de “banner” misturado ao espaço físico, medido por rastreamento ocular e contexto sonoro, algo que torna métricas como viewability quase irrefutáveis.
Em suma, o Galaxy XR representa muito mais que uma resposta ao Vision Pro: ele aponta para um cenário em que IA e realidade estendida deixam de ser nicho premium e passam a disputar diretamente a atenção (e o orçamento) de quem cria, publica ou anuncia conteúdo digital. A corrida começou, e o fator preço pode ser o catalisador que faltava para a adoção em massa.