Você pode até conhecer o Kindle pela bateria que dura semanas ou pela tela que engana o olho como se fosse papel, mas há muito mais tecnologia ali dentro do que parece. Sob os menus discretos, o e-reader da Amazon guarda funções pouco exploradas que podem mudar radicalmente sua experiência — seja você um leitor casual que só quer conforto nos olhos, um criador de conteúdo em busca de referências rápidas ou um profissional de marketing que passa horas estudando relatórios e white papers.
Ao destravar essas ferramentas, o dispositivo deixa de ser apenas um “livro digital” e se torna uma plataforma de acessibilidade, produtividade e personalização. A seguir, reunimos cinco funcionalidades que ficam escondidas nos submenus, explicamos para que servem e como ativá-las em poucos toques.
Leitor Assistivo: o Kindle narra o texto para você
O que é: chamado de Assistive Reader, o recurso lê em voz alta qualquer e-book usando vozes sintéticas configuráveis.
Para quem serve: leitores que querem descansar os olhos sem interromper a leitura, pessoas com dificuldade de concentração e quem curte “audiobook improvisado” enquanto faz outras tarefas.
Como ativar: conecte um fone ou caixa Bluetooth, toque na parte superior da tela, selecione Aa > Mais e habilite Leitor Assistivo. Depois ajuste a velocidade e o tom de voz ao seu gosto.
VoiceView: menus e páginas descritos em tempo real
O que é: solução de leitor de tela pensada para usuários cegos ou com baixa visão. Narra menus, livros e qualquer elemento da interface.
Para quem serve: pessoas com deficiência visual e também quem está aprendendo idiomas e quer ouvir a pronúncia de cada item.
Como ativar: toque na parte superior da tela, abra o menu de três pontos > Configurações > Acessibilidade > Leitor de tela VoiceView. Emparelhe com fone ou alto-falante Bluetooth e siga as instruções auditivas (geralmente, tocar duas vezes para confirmar).
Word Wise: definições “no meio do caminho” sem sair da página
O que é: um mini-dicionário que coloca explicações de palavras complexas logo acima da linha, evitando consultas externas.
Para quem serve: estudantes, leitores de obras acadêmicas ou em outro idioma, e qualquer um que queira manter o fluxo de leitura quando encontra termos difíceis.
Como ativar: toque no topo, escolha Aa > Mais, role até Word Wise e ative. Caso nada apareça, selecione Dicas de vocabulário. Para desligar, escolha Ocultar.
Imagem: Internet
OpenDyslexic: fonte desenhada para quem tem dislexia
O que é: uma família tipográfica com base mais espessa que impede a inversão de letras e ajuda na distinção entre b, d, p e q.
Para quem serve: leitores com dislexia, crianças em alfabetização e qualquer pessoa que prefira letras mais estáveis.
Como ativar: durante a leitura, toque no topo, vá em Aa > Fonte > Família de fontes, toque na seta à direita e escolha OpenDyslexic. Saia do livro e abra novamente para aplicar.
Modo paisagem: mais palavras por linha, menos cansaço visual
O que é: reorienta o display para horizontal, criando linhas mais longas e diminuindo a frequência de mudança de linha.
Para quem serve: quem sofre com fadiga ocular, leitores de PDFs amplos ou figuras de diagramação dinâmica.
Como ativar: dentro do livro, toque no topo, selecione Aa > Layout > Orientação e escolha a segunda opção (paisagem).
Leitura sem barreiras: o que esses recursos ensinam sobre design inclusivo e engajamento digital
Ao observar as cinco funções escondidas, fica claro que a Amazon não está apenas adicionando “extras” ao Kindle — está construindo um laboratório de acessibilidade que influencia todo o setor editorial. O Leitor Assistivo e o VoiceView mostram como áudio e texto podem coexistir, algo que plataformas de conteúdo deveriam adotar para ampliar audiência sem criar produtos separados. Recursos como Word Wise e a fonte OpenDyslexic apontam para uma tendência de personalização cognitiva: não basta ajustar brilho e tamanho da letra; é preciso oferecer camadas de entendimento adaptadas a dificuldades específicas.
Para criadores de conteúdo e profissionais de marketing, o recado é direto: materiais que ignoram acessibilidade perdem alcance e, no limite, receita. Ao mesmo tempo, a experiência positiva no Kindle eleva a barra de expectativa do usuário para outros ambientes — inclusive sites, blogs e campanhas de e-mail. Quem conseguir replicar essa sensação de leitura fluida e sem barreiras em seus próprios canais ganhará atenção e tempo de tela, duas moedas cada vez mais valiosas.
No fim das contas, essas “funções escondidas” dizem menos sobre atalhos secretos e mais sobre a direção que o design de produto está tomando: flexível, inclusivo e centrado na realidade diversa dos leitores. Entender isso hoje é posicionar-se melhor para o ecossistema de conteúdo que vem aí — onde conveniência e acessibilidade não serão diferenciais, mas pré-requisitos.