A inteligência artificial (IA) deixou o campo das promessas e começou a mexer nas planilhas de RH dos maiores bancos dos Estados Unidos. JPMorgan Chase e Goldman Sachs, duas referências globais do setor financeiro, estão pisando no freio das contratações justamente no momento em que registram lucros robustos. Para quem acompanha tecnologia, marketing digital ou simplesmente depende da saúde do mercado para monetizar blogs e projetos online, o recado é claro: automação já não é mais tendência — é realidade com impacto imediato em modelos de negócio e empregos.
Nesta reportagem, você vai entender os números por trás dessa mudança, quais funções estão mais vulneráveis e, sobretudo, o que essa decisão estratégica revela sobre o futuro do trabalho e da adoção de IA em larga escala. Spoiler: não é apenas o setor bancário que deve repensar equipes e processos.
JPMorgan desacelera contratações mesmo com lucro recorde
Maior banco do mundo em valor de mercado, o JPMorgan Chase lucrou US$ 14,4 bilhões no terceiro trimestre de 2025 — alta de 12% sobre 2024. Apesar do caixa generoso, o quadro de funcionários cresceu apenas 1% no período.
Segundo o CFO Jeremy Barnum, gerentes receberam orientação explícita para “segurar” novas admissões durante a implantação de sistemas de IA que já automatizam diversas tarefas. O CEO Jamie Dimon reconheceu que alguns postos serão eliminados, mas prometeu programas de requalificação. Ainda assim, projeções internas indicam corte mínimo de 10% nas equipes de operações e suporte em até cinco anos. Hoje, o banco emprega 318.153 pessoas.
Goldman Sachs segue caminho similar e prevê cortes
O Goldman Sachs apresentou lucro de US$ 4,1 bilhões no mesmo trimestre, alta de 37% ano a ano. Em memorando aos funcionários, o CEO David Solomon informou que busca “mais velocidade e agilidade” via IA e que isso limitará contratações imediatas. O documento antecipa a demissão de “um número limitado” de colaboradores ainda em 2025, com a modernização completa levando alguns anos.
Quais áreas ficam na linha de fogo
Relatórios dos próprios bancos apontam maior risco para funções operacionais e de back-office — departamentos de RH, financeiro, TI e suporte às operações. Já postos que exigem interação constante com clientes nas agências tendem a ser preservados no curto prazo.
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Do Escritório ao Algoritmo: Por Que Esse Movimento Ameaça Se Espalhar Para Além dos Bancos
Os anúncios de JPMorgan e Goldman Sachs são mais que decisões internas: funcionam como farol para todo o mercado corporativo. Quando duas instituições avaliadas em centenas de bilhões de dólares concluem que algoritmos entregam eficiência suficiente para frear contratações, investidores de outros setores passam a exigir estratégia semelhante.
Para profissionais de tecnologia, o recado é ambivalente. De um lado, cresce a demanda por especialistas em IA, ciência de dados e infraestrutura de nuvem — áreas críticas na jornada dos bancos. De outro, funções de suporte padronizadas, inclusive na TI tradicional, ganham etiqueta de “substituível”.
Quem vive de conteúdo, afiliados ou publicidade online deve observar dois reflexos. Primeiro, o apetite de bancos por veicular anúncios pode recuar caso a prioridade seja investir em automação interna. Segundo, a ideia de “fazer mais com menos” deve inspirar empresas de todos os tamanhos, levando empreendedores digitais a repensar processos — do atendimento ao cliente à produção de artigos — sob a ótica da IA generativa.
Por fim, a postura cautelosa com contratações sinaliza que a adoção de IA não será incremental, mas transformacional. O ciclo se repete: automação corta custo, aumenta margem, pressiona concorrentes e redefine o que significa ser “empregável”. Entender essa lógica agora pode ser a diferença entre liderar a próxima fase ou ser pego de surpresa pela planilha mais importante de todas — a de relevância profissional.