O novo Vision Pro com chip M5 já pode ser encomendado e chega às prateleiras em 22 de outubro, mas a ficha técnica traz uma decisão curiosa da Apple: a memória unificada permanece em 16 GB, apesar de o processador suportar até 32 GB em outros produtos como o MacBook Pro de 14″. Ao mesmo tempo, o kit do headset passa a incluir um carregador de 40 W (com pico de 60 W) nos Estados Unidos, Canadá e alguns mercados selecionados, substituindo o antigo adaptador de 30 W.
Para quem cria conteúdo em 3D, desenvolve apps imersivos ou simplesmente quer entender se vale atualizar o parque de dispositivos, estes detalhes importam mais do que números em uma tabela. A seguir, destrinchamos o que mudou — e o que não mudou — no Vision Pro 2025.
Memória: 16 GB continuam sendo o limite
Fato: mesmo equipado com o novo system-on-a-chip M5, o Vision Pro mantém os 16 GB de RAM da geração anterior. O M5 é capaz de endereçar até 32 GB, mas a Apple decidiu não ampliar o teto no headset.
Contexto técnico: memória unificada significa que CPU, GPU e Neural Engine compartilham o mesmo pool, o que reduz latência e economiza energia. No entanto, workloads mais pesados — como cenas 3D complexas ou múltiplas janelas de monitores virtuais — poderiam se beneficiar de mais RAM.
Novo carregador de 40 W a 60 W: mais fôlego para longas sessões
Fato: a caixa do modelo 2025 traz o adaptador dinâmico de 40 W (60 W de pico) em mercados como EUA e Canadá. Países como Reino Unido e Austrália continuam recebendo a versão internacional do carregador de 30 W.
Implicação: maior potência de carregamento permite repor a bateria externa mais rapidamente, algo relevante em sessões prolongadas de trabalho ou entretenimento, especialmente se o usuário pretende alternar entre uso autônomo e conectado à tomada.
Outras mudanças pontuais no pacote
Duo Knit Band redesenhada: a Apple incluiu uma bandagem dupla de tecido mais macio, prometendo menos pressão na testa e na parte de trás da cabeça.
Suporte a 120 Hz no Mac Virtual Display: a taxa de atualização maior reduz o motion blur ao espelhar ou estender a tela do Mac dentro do ambiente imersivo, resultando em leitura de texto mais nítida e movimentos da janela mais suaves.
Imagem: Joe Rossignol
Disponibilidade: pré-venda já aberta, com lançamento global em 22 de outubro.
Além do upgrade de força: por que 16 GB podem limitar a ambição do Vision Pro?
Ao manter 16 GB de RAM, a Apple sinaliza que, por ora, o VisionOS e os apps projetados para o headset continuam otimizados para esse patamar. Isso reduz custos de produção, simplifica a cadeia de suprimentos e evita aumentar consumo energético — essencial num dispositivo em que bateria é externa e preciosa.
Para desenvolvedores, entretanto, o recado é claro: experiências realmente “pró” precisarão caber nesse limite. Projetos de realidade mista que tentem processar texturas de alta resolução, IA local intensa ou múltiplos monitores 4K virtuais podem esbarrar no mesmo gargalo observado em iPads com tarefas profissionais.
O carregador de 40 W/60 W, por sua vez, é uma pista de que o Vision Pro tende a ficar mais tempo plugado. Seja em estúdios de criação ou em escritórios que adotem o Mac Virtual Display, a dupla tomada + bateria externa vira padrão — algo semelhante à transição dos notebooks para o uso majoritário em mesa, e não no colo.
No curto prazo, usuários avançados devem ver ganhos práticos no conforto (alça redesenhada) e na fluidez (120 Hz). No médio prazo, a escolha por 16 GB pode se tornar o principal fator de obsolescência percebida, caso a Apple abra, em futuras revisões, uma opção de 32 GB que destrave aplicativos mais exigentes. Até lá, criadores e profissionais de marketing que miram no Vision Pro como plataforma de trabalho precisam calibrar expectativas: o hardware evoluiu em processador e energia, mas o teto de memória continua limitando o quão “pro” essa visão realmente é.