Você piscou e a Brasil Game Show 2025 já virou palco para a ascensão de uma nova protagonista made in Brazil. Em um evento dominado por gigantes estrangeiros, a Cellfy conseguiu o improvável: atrair filas quilométricas, roubar a atenção de influenciadores e ainda ser assunto nos bastidores de quem vive de reviews de hardware. Para o usuário que sonha em turbinar o setup, para o criador que precisa de um monitor confiável e para o profissional de marketing que monitora tendências de consumo, a movimentação da marca é um termômetro do que vem por aí.
A companhia, que nasceu no e-commerce e já despacha cerca de 50 mil pedidos por mês, usou o holofote da BGS para apresentar três linhas: PXN (simuladores e volantes), KOZZ (monitores gamer) e Easythreed (impressoras 3D de mesa). O discurso é conhecido — “alta tecnologia com preço justo” —, mas a execução chamou atenção pelo conjunto de force feedback, telas curvas de baixo input lag e impressoras compactas que cabem em qualquer estúdio de criação.
BGS 2025 confirma a virada: mais espaço para marcas nacionais
Realizada novamente no Distrito Anhembi, em São Paulo, a BGS deste ano dobrou de tamanho em metragem e público. Entre simuladores de corrida e demos em realidade virtual, o evento refletiu um mercado onde o consumidor está mais criterioso e disposto a investir em periféricos de performance — contanto que o custo-benefício faça sentido.
Nesse cenário, a Cellfy representou um ponto fora da curva: primeiro, por ser brasileira; segundo, por chegar com um catálogo amplo já na estreia. Enquanto outras empresas nacionais focavam em um ou dois produtos, o estande da Cellfy oferecia hands-on com monitores, simuladores e impressoras 3D.
PXN: volantes direct drive com foco em realismo
A linha PXN ganhou holofotes por entregar volante com force feedback e, mais recentemente, modelos direct drive — tecnologia que elimina engrenagens intermediárias, ligando o motor diretamente ao eixo do volante e elevando a precisão do retorno tátil. Até pouco tempo, esse padrão era restrito a produtos bem acima dos R$ 5.000. A Cellfy promete valores menores sem sacrificar construção, posicionando a PXN como porta de entrada para simuladores mais sérios.
KOZZ: monitores curvos para eSports e imersão
Quem passava pelo estande podia testar painéis de 24’’ a 34’’ com curvatura 1500R, taxa de atualização alta e tempo de resposta baixo o bastante para FPS competitivo. O design slim, aliado à promessa de garantia nacional de 12 meses, mira gamers que querem combinar estética e desempenho sem depender de importação. Embora a KOZZ ainda não divulgue todos os modelos, a marca deixou claro que pretende atender desde jogadores casuais até streamers que precisam de ultrawide para multitarefa.
Easythreed: impressoras 3D que cabem no home office
Menor, mais silenciosa e voltada ao segmento maker, a Easythreed se propõe a facilitar a criação de acessórios customizados: suportes para headset, keycaps exclusivas ou peças de reposição para controles. Para criadores de conteúdo, a promessa de impressão plug-and-play é um diferencial quando cada hora conta na produção de vídeos e projetos.
Do e-commerce ao pavilhão: a estratégia por trás da expansão
Com histórico de vendas robusto em marketplaces, a Cellfy utiliza a infraestrutura logística já testada para sustentar o pós-venda — ponto sensível em produtos de tecnologia. Garantia de 12 meses e canal de suporte local funcionam como argumento para convencer quem, até então, comprava marcas estrangeiras sem respaldo no Brasil.
Imagem: Internet
Além do Espetáculo: o que a “nova Cellfy” sinaliza para o mercado gamer brasileiro?
Há três camadas de impacto na movimentação da Cellfy:
1. Pressão competitiva nos preços de entrada. Quando um volante direct drive fabricado fora do eixo EUA-Ásia chega com etiqueta nacional competitiva, marcas consolidadas precisam repensar margens ou entregar funcionalidades inéditas.
2. Descentralização da cadeia de valor. A oferta de garantia local rompe a dependência de importadores paralelos. Para afiliados e criadores que fazem reviews, isso significa menor atrito para recomendar produtos — e, por consequência, maior conversão orgânica.
3. Integração de ecossistemas. Ao juntar periféricos, displays e impressão 3D, a Cellfy tenta criar um ecossistema onde o consumidor resolve diversas demandas sem sair da marca. Essa estratégia ecoa modelos de gigantes internacionais, mas sob a ótica de logística e suporte nacional.
Se os protótipos exibidos na BGS se confirmarem em qualidade e disponibilidade, o mercado gamer no Brasil pode entrar em um ciclo virtuoso: competição real, preços mais equilibrados e suporte local sólido. Para quem vive de produzir ou consumir conteúdo sobre hardware, vale acompanhar: a próxima grande inovação pode vir, literalmente, do outro lado da rua.