Quando a Apple apresentou o MacBook Pro com chip M5, o foco oficial era a nova leva de recursos de inteligência artificial e a performance bruta. Mas, fora do palco, o detalhe que mais repercutiu foi o que não vem na caixa: na União Europeia, o carregador simplesmente desapareceu do kit. Para quem vive de produzir conteúdo, desenvolver aplicativos ou monetizar blogs, o assunto vai além de um “gasto extra” — ele toca em temas como sustentabilidade, padronização de acessórios e mesmo em precedentes judiciais.
No Brasil, o adaptador de energia continua incluso, um contraste que chama atenção de profissionais de tecnologia e marketing digital acostumados a lidar com as políticas globais da Apple. Afinal, por que a empresa arriscaria desagradar parte do público em um momento de forte competição? A seguir, destrinchamos os fatos e o impacto real dessa decisão.
Europa adota MacBook sem carregador
No bloco europeu, quem adquirir o MacBook Pro M5 receberá apenas o notebook e um cabo USB-C para MagSafe 3. O adaptador de 70 W ou 96 W passa a ser vendido separadamente, seguindo o mesmo caminho dos iPhones desde 2020 e dos iPads em 2022.
A justificativa está ancorada em normas de sustentabilidade: reguladores entendem que a maioria dos consumidores já possui carregadores compatíveis, e obrigar a compra involuntária gera lixo eletrônico. A Apple, que vinha sendo pressionada a alinhar todos os seus produtos ao discurso “verde”, decidiu estender a política também aos MacBooks no mercado europeu.
Por que o acessório continua na caixa no Brasil?
No Brasil, a história é mais judicial do que ecológica. Desde 2021, a Apple foi multada e até proibida de vender iPhones sem carregador em diferentes estados. Órgãos como Procon-SP e Ministério da Justiça alegaram “venda casada” e descumprimento do Código de Defesa do Consumidor.
Mesmo que os casos anteriores envolvessem celulares, os processos criaram um precedente: remover o carregador de outro dispositivo premium poderia reacender disputas e atrasar lançamentos. Para evitar novas sanções — e, claro, atrasos na receita — a Apple decidiu manter o adaptador na embalagem brasileira do MacBook Pro M5, pelo menos por enquanto.
O que mudou no hardware do MacBook Pro M5
Por dentro, o salto é expressivo. O chip Apple M5 possui CPU 20 % mais veloz em tarefas multinúcleo e GPU de 10 núcleos com aceleração neural em cada um deles. A Apple fala em até 3,5 × mais desempenho em workloads de IA comparado ao M4, e 6 × frente ao chip M1.
Destaques técnicos:
Imagem: William R
- Largura de banda de memória: 150 GB/s
- SSD: até 4 TB, duas vezes mais rápido que a geração anterior
- Bateria: autonomia declarada de 24 horas
- Tela: Liquid Retina XDR de 14 pol., opcional com vidro nano-texture
- Preço no Brasil: a partir de R$ 19.999, com vendas a partir de 22 de outubro
Junto com o notebook, a Apple também revelou o iPad Pro M5, que herda o mesmo processador e promete ganhos de até 3,5 × em IA ante o modelo anterior.
Sustentabilidade ou estratégia? O que a decisão revela sobre o futuro dos notebooks
Embora o discurso oficial destaque a redução de resíduos, a retirada do carregador é, sobretudo, uma jogada de alinhamento regulatório — e de margem de lucro. Na Europa, a Apple evita multas futuras e ainda corta custos de hardware e logística. Cada adaptador vendido separadamente gera receita extra, enquanto o peso menor da caixa reduz frete e emissões de CO₂ — argumento que reforça a narrativa ambiental.
No Brasil, o cenário é inverso: procedimentos judiciais tornaram o carregador parte “essencial” do produto. Se a Apple o removesse aqui, provavelmente enfrentaria outro ciclo de multas, recall e má publicidade, custos bem maiores que manter o acessório.
Para profissionais que dependem de equipamentos Apple, o movimento indica duas tendências. Primeiro, um futuro de embalagens cada vez mais enxutas em mercados com legislações avançadas de sustentabilidade. Segundo, uma fragmentação de políticas por região, influenciando preços, disponibilidade e até pós-venda. A médio prazo, usuários podem ter de planejar a compra de carregadores de maior potência como item separado — algo que impacta orçamentos de criadores de conteúdo e equipes de TI.
No fim das contas, o MacBook Pro M5 entrega potência suficiente para rodar modelos de IA localmente, mas também acende o alerta: o adaptador de energia, antes “banal”, virou peça de negociação entre empresas, consumidores e governos. Fica a lição de que, no ecossistema Apple, até o que sai da caixa comunica estratégia.