Quando uma marca centenária como a Adidas sinaliza cortes de preço que podem chegar a 60%, não se trata apenas de liquidação. Por trás da etiqueta vermelha existe uma engrenagem de fidelização, coleta de dados e posicionamento de mercado que interessa tanto a quem consome quanto a quem produz conteúdo ou trabalha com marketing de afiliados.
De olho em um público que vai do sneakerhead ao gestor de tráfego, a companhia alemã já definiu o roteiro promocional para outubro de 2025. As informações divulgadas incluem cupons específicos, benefícios para membros do programa adiClub e datas estratégicas que se estendem até a Black Friday. A seguir, destrinchamos o cronograma, os mecanismos de acesso aos códigos e os bastidores dessa estratégia de preços agressivos.
O que já está confirmado para outubro de 2025
Data e percentual: a Adidas trabalha com cupons que prometem até 60% de abatimento em produtos femininos, masculinos e linhas icônicas como Samba e Superstar.
Disponibilização dos códigos: os cupons serão distribuídos em diferentes canais — sites especializados em ofertas, grupos de WhatsApp administrados por parceiros e comunicados oficiais da marca.
Validade e limites: parte dos códigos tem uso restrito à primeira compra. Outros ficam atrelados a categorias específicas (tênis de corrida, linha casual, uniformes de clubes) ou funcionam como benefício temporário, sujeito à expiração sem aviso prévio.
Como funciona o ecossistema de cupons da Adidas
adiClub: o programa de fidelidade oferece frete grátis recorrente, cupons resgatáveis de 15% a 30% e sistemas de pontos que podem ser trocados por códigos adicionais.
Cupons temáticos: há códigos voltados a coleções sazonais (Dia dos Namorados, Semana do Consumidor) e parcerias esportivas, como uniformes oficiais do Flamengo.
Outlet permanente: a seção Outlet do site mantém coleções passadas com preços remarcados. Em datas de pico, os descontos do Outlet se somam aos cupons, potencializando a redução final — prática que exige atenção às regras de cumulatividade.
Imagem: Internet
Eventos âncora: Black Friday (28 de novembro), Cyber Monday e campanhas de março (Semana do Consumidor) permanecem como pontos altos, quando a marca costuma combinar cupons agressivos e promoções relâmpago.
Observação de veracidade: a própria Adidas ressalta que a validade de cada código pode ser revogada a qualquer momento, tornando obrigatório checar a informação diretamente na loja antes da finalização do pedido.
Muito além do desconto: por que a Adidas usa cupons como motor de fidelização?
Num ambiente de varejo cada vez mais orientado por dados de primeira mão, os cupons oferecem duas moedas valiosas para a Adidas: informações sobre comportamento de compra e poder de barganha sobre o preço médio praticado pelo mercado. Ao estimular o cadastro no adiClub, a empresa capta e-mail, preferências de produto e histórico de navegação, criando uma base própria sem depender em excesso de plataformas de anúncios.
Para criadores de conteúdo e publishers, a abundância de cupons representa uma janela de monetização via programas de afiliados. A contrapartida é a necessidade de monitorar a caducidade dos códigos: links quebrados ou percentuais desatualizados podem diminuir a confiança do público e, por tabela, as comissões.
Do ponto de vista do consumidor, o benefício imediato é óbvio — menor desembolso —, mas há implicações menos aparentes. Ao combinar descontos progressivos com vantagens exclusivas (frete, pré-venda, pontos), a Adidas reduz a elasticidade de preço percebida: o cliente acostuma-se a comprar somente quando a marca sinaliza oportunidade, o que mantém o ciclo de engajamento e reduz churn.
No fim das contas, a temporada de descontos de outubro a novembro serve como laboratório de marketing: testa volumes de estoque, calibra algoritmos de recomendação e aumenta a lista de contatos antes do maior pico de vendas do ano. Para quem trabalha com e-commerce, entender essa lógica é essencial para ajustar calendários editoriais, prever picos de tráfego e renegociar contratos de comissão. Já para o consumidor, a lição é simples: por trás de cada percentual de desconto existe uma estratégia que vale, para a Adidas, tanto quanto o próprio valor economizado na compra.