Se você já sentiu que o Instagram está virando um “TikTok com chat”, a nova reorganização de botões confirma a tendência. A plataforma começou a testar um layout em que a aba Reels ganha a segunda posição na barra de navegação, logo após o Feed, enquanto as Mensagens Diretas (DMs) passam a ser o terceiro item. Esse ajuste, ainda opcional, muda não só a ordem dos ícones na parte inferior do aplicativo, mas também o gesto lateral que os usuários fazem para alternar entre as seções.
A mudança vem embalada pelo argumento de Adam Mosseri, chefe do Instagram, de que “o app precisa refletir o que as pessoas mais usam”. E os números internos mostram que, hoje, isso significa consumir vídeos curtos e trocar mensagens privadas. Para quem vive de criar conteúdo ou monetizar audiência, entender a lógica por trás dessa remodelagem é fundamental: ela dita onde a atenção do usuário vai pousar primeiro — e, portanto, onde seus posts precisam brilhar.
Como fica a nova barra de navegação
A posição dos botões passa a ser a seguinte:
- Primeiro ícone (canto inferior esquerdo): Stories e Feed, como sempre;
- Segundo ícone: Reels, agora com destaque imediato;
- Terceiro ícone: DMs, que antes ocupavam a segunda posição;
- A câmera para criar Stories ou posts sai da parte inferior e sobe para o canto superior esquerdo;
- O logotipo do Instagram deixa o canto e passa a ocupar o centro da barra superior.
Na prática, a rede social coloca o consumo de vídeos curtos em evidência, enquanto o compartilhamento de fotos e Stories exige um toque adicional.
Gestos de navegação também mudam
Antes, deslizar o dedo da direita para a esquerda levava diretamente ao chat. Agora, o gesto aciona primeiro a tela de Reels e, só depois, as mensagens privadas. Essa pequena alteração cria uma barreira sutil: é preciso mais um swipe para conversar, mas nenhum a mais para assistir a vídeos. É um detalhe que, em escala global, pode significar milhões de visualizações extras de Reels todos os dias.
Lançamento gradual e feedback dos usuários
O novo layout está sendo liberado de forma opcional. Usuários selecionados veem um pop-up “Atualizar agora” e podem experimentar. Caso recusem, a opção continua disponível nas configurações. Segundo Mosseri, a adoção em etapas ajuda a diminuir a resistência natural a mudanças de interface e oferece tempo para coletar opiniões antes de tornar o formato padrão.
Imagem: Vitor Pádua
Vale lembrar que esta é a segunda grande reorganização de 2023/2024. Em outubro passado, o Instagram iniciou um teste — por enquanto restrito à Índia — que abre o aplicativo diretamente na aba Reels. O experimento atual, portanto, é um meio-termo: mantém o Feed na primeira tela, mas aproxima Reels do “topo da hierarquia”.
Feed em Segundo Plano: por que a ‘Reels-ficação’ importa para criadores, marcas e anunciantes?
O Instagram envia um sinal claro: fotos estáticas e carrosséis clássicos já não são o motor de crescimento que a empresa deseja promover. Ao priorizar Reels na barra e nos gestos, a plataforma:
- Redistribui atenção: cada swipe extra para alcançar o chat ou criar um Story é um swipe a menos de fricção para assistir a vídeos curtos. Isso altera o “mapa de calor” da interface, concentrando olhares no conteúdo em tela cheia.
- Incentiva formato vertical curto: quem produz conteúdo precisa reconsiderar cronogramas editoriais. Um portfólio centrado em imagens pode sofrer perda de alcance orgânico se não incorporar Reels.
- Afeta métricas de retenção: mais tempo em Reels gera dados de engajamento que justificam investimentos em novas ferramentas de vídeo, filtros e efeitos — e alimenta o algoritmo, agora calibrado para loops rápidos.
- Reconfigura oportunidades de anúncio: para profissionais de marketing, a mudança significa que formatos como Meta Ads em Reels tendem a ganhar inventário e, possivelmente, CPMs mais competitivos.
Em resumo, o Instagram não está apenas trocando botões; está redefinindo a jornada do usuário para favorecer vídeos curtos e interações privadas — as duas frentes que podem defender sua relevância frente ao TikTok e ao WhatsApp. Criadores e marcas que se adaptarem cedo à nova lógica de navegação têm mais chance de permanecer no campo de visão do público.