Imagine um smartphone que, além de prometer fotos de nível profissional, ainda permite ligações de emergência sem sinal de operadora e recarrega a bateria quase na velocidade com que você prepara um café. Foi com essa carta de apresentação que a Xiaomi lançou, em São Paulo, os novos Xiaomi 15T e Xiaomi 15T Pro. Para quem vive de produzir conteúdo, monetiza blog no WordPress ou depende do celular para campanhas no Google Adsense, a pergunta é simples: o que esses números de ficha técnica significam na prática?
Os modelos chegam ao país logo após o anúncio global, trazendo parceria com a Leica nas câmeras, chips Dimensity de última geração e a nova interface HyperOS 2.0 baseada no Android 15. A marca quer provar que dá para competir com Samsung e Apple no segmento premium sem recorrer aos processadores da Qualcomm — e ainda com um diferencial nada óbvio: comunicação offline integrada. Vamos aos detalhes.
Design premium que tenta equilibrar leveza e resistência
Visualmente, Xiaomi 15T e 15T Pro seguem a mesma assinatura: módulo de câmeras quadrado levemente saltado com quatro recortes e laterais planas que facilitam a pegada. O 15T Pro recebe corpo em metal, enquanto o 15T aposta em fibra de vidro. Ambos contam com proteção Gorilla Glass 7i na frente e certificação IP68, garantindo resistência a água e poeira.
Espessura e peso também são contidos para aparelhos de tela grande: 7,5 mm e 194 g no 15T; 7,96 mm e 210 g no Pro. Nas laterais, a receita clássica: botões de volume/energia à direita e USB-C, alto-falante e gaveta de SIM na base.
Tela brilhante e som estéreo para quem vive de conteúdo
Os dois smartphones trazem painel AMOLED de 6,83” com resolução 1,5K. A diferença fica por conta da taxa de atualização: 120 Hz no 15T e 144 Hz no 15T Pro. O pico de brilho chega a impressionantes 3.200 nits, suficiente para leitura sob sol forte — ótimo para quem costuma gravar ou fotografar ao ar livre.
O leitor de digitais embutido no display respondeu bem nos testes iniciais, e o áudio é estéreo, alto e sem distorções perceptíveis, reforçando o apelo para streaming, reuniões e consumo de mídia.
Processadores Dimensity e HyperOS 2.0: desempenho e IA de fábrica
No coração dos aparelhos, a Xiaomi trocou a Qualcomm pelos chips da MediaTek. O 15T vem com Dimensity 8400 Ultra; o 15T Pro, com o recém-lançado Dimensity 9400 Plus. Ambos contam com 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento.
No front do software, os dois já rodam Android 15 coberto pela HyperOS 2.0, interface que a Xiaomi promete ser mais leve que a antiga MIUI. Há ainda o pacote HyperAI — assistente de escrita, transcrição de áudio, criação de papéis de parede via IA generativa e integração total com o Google Gemini.
Conjunto fotográfico Leica: zoom óptico de 5x chega ao Brasil
A parceria com a Leica se traduz em sensor principal de 50 MP com lentes Summilux. A abertura é de ƒ/1.7 no 15T e ƒ/1.62 no Pro, que também leva o sensor Light Fusion 900 para ampliar a faixa dinâmica. A câmera ultrawide de 12 MP é idêntica nos dois.
No telefoto, o 15T traz 50 MP com estabilização óptica. O 15T Pro vai além: mesma resolução, mas com a teleobjetiva Leica 5x Pro, oferecendo zoom óptico de 5x, “óptico de nível” 10x e até 20x no Ultra Zoom digital. Para selfies, ambos usam sensor de 32 MP. Na filmagem, 4K 60 fps em ambos, e 8K 30 fps exclusivo do Pro.
Imagem: Internet
Bateria generosa, carregamento ultrarrápido e comunicação offline
A bateria de 5.500 mAh é igual nos dois modelos, mas a velocidade de recarga varia: 67 W no 15T e 90 W no Pro, que também suporta 50 W sem fio. Em conectividade, Wi-Fi 6E (15T) ou Wi-Fi 7 (Pro), 5G com eSIM, Bluetooth 6.0 e NFC.
O destaque curioso é o modo de comunicação offline. Usando rádio integrado, é possível realizar chamadas de emergência para outro Xiaomi compatível em um raio de até 1,3 km (15T) ou 1,9 km (Pro) — um recurso inédito na linha, pensado para áreas sem cobertura.
Além dos Megapixels: Por Que a Xiaomi Aposta em Chips MediaTek e Offline Calling no Brasil?
A troca da Qualcomm pelos Dimensity não é apenas questão de custo. A MediaTek vem oferecendo, nas séries 8000 e 9000, eficiência energética competitiva e aceleração de IA nativa — algo vital para o HyperOS, que coloca recursos como o HyperAI no centro da experiência. Para usuários avançados, isso significa menor consumo em tarefas pesadas e ciclos de atualização mais rápidos, já que o driver de GPU e modem ficam sob controle direto da Xiaomi.
O protocolo de comunicação offline pode parecer supérfluo em áreas urbanas, mas dialoga com a realidade brasileira: ainda existem regiões com cobertura 4G/5G precária. Para criadores que viajam para capturar conteúdo em locais remotos ou profissionais que dependem do dispositivo em campo, a função “walkie-talkie” embutida vira argumento concreto de compra — e pressiona concorrentes a oferecer algo similar.
No quesito câmeras, a parceria com a Leica mantém a Xiaomi em pé de guerra com Samsung e Apple pela narrativa de “fotografia profissional no bolso”. O zoom óptico de 5x no modelo Pro mira diretamente no Galaxy S24 Ultra, enquanto a abertura maior tenta compensar o sensor menor em cenas noturnas. Para mercado de afiliados e marketing, gadgets que entregam melhor qualidade de imagem geram conteúdo mais atrativo, o que potencializa cliques e conversão.
Por fim, a política de incluir carregador de alta potência na caixa contrasta com a estratégia de empresas que venderam a ideia do acessório opcional. Isso agrada ao consumidor imediato, mas também eleva o custo final — ponto sensível em um Brasil onde flagships já ultrapassam facilmente a barreira dos R$ 7 mil.
Resultado: Xiaomi 15T e 15T Pro chegam com um pacote tecnicamente robusto, mas terão de provar que a combinação Dimensity + Leica + HyperOS entrega, no dia a dia, valor equivalente ao preço premium que pedem. Se conseguirem, forçam o mercado a acelerar em IA embarcada, carregamento rápido de verdade e recursos de conectividade fora da caixa. Caso contrário, serão lembrados como mais um “quase” em um segmento cada vez mais competitivo.