Quando os números mostram que mais da metade dos consumidores desconfia de posts pagos, insistir no mesmo modelo de campanha soa como teimosia. A executiva Deesha Laxsav, gerente sênior de marketing de marca da Clutch, enxergou o problema e propôs algo contra‐intuitivo: começar a parceria pelo final, ou melhor, pelo tipo de conteúdo que normalmente viria depois de um contrato formal. O resultado? Relações mais autênticas com criadores, distribuição orgânica e uma chance real de reconquistar a confiança do público.
Se você administra um blog em WordPress, corre atrás de monetização com Google AdSense ou precisa de tráfego qualificado para programas de afiliados, entender esse “roteiro ao contrário” pode ser a diferença entre uma audiência engajada e uma sequência de publis que morrem na praia. A seguir, destrinchamos os fatos e apontamos o impacto prático da estratégia.
O déficit de confiança no marketing de influência
Uma pesquisa recente conduzida pela própria Clutch mostrou que 53% dos consumidores não confiam em endossos pagos; 41% sequer sabem se preferem acreditar mais em influenciadores do que em marcas. Quanto mais polido o conteúdo, maior a impressão de artificialidade. Em outras palavras, a tática de “colocar logo o logo” perdeu charme e eficácia.
Para Laxsav, o problema está no excesso de campanhas únicas e dispersas, que transformam influenciadores em outdoors momentâneos. A consequência é o ceticismo generalizado: se toda semana surge um produto diferente no feed, o seguidor entende que ali há, antes de tudo, um acordo comercial, não uma recomendação genuína.
Inverter a ordem: do convite à criação
Em vez de pedir que o influenciador publique sobre a marca, a Clutch faz o oposto: convida o criador para ser entrevistado em um dos próprios canais da empresa. O time produz vídeo, artes e textos prontos para redes sociais e entrega tudo de bandeja ao convidado.
O benefício imediato é duplo. Primeiro, a marca supera a barreira do contato: grandes influenciadores recebem milhares de e-mails por semana, mas um pedido de participação como entrevistado destaca-se pela vaidade positiva — o criador ganha palco, não tarefa. Segundo, o material já nasce com qualidade e alinhamento de discurso, simplificando o compartilhamento voluntário depois.
Essa primeira colaboração funciona como quebra-gelo. A proximidade gerada pela entrevista cria abertura para projetos futuros, desta vez, sim, envolvendo canais do influenciador. Quando chegar a hora de um post patrocinado, a audiência já terá visto interações naturais entre as partes, reduzindo a impressão de “anúncio colado” de última hora.
Uma visão de longo prazo, não de pico de tráfego
Laxsav admite que, por vezes, o convidado sequer compartilha a entrevista. Ainda assim, o esforço não é em vão: o conteúdo permanece nos canais da marca e, principalmente, solidifica a relação para futuras oportunidades. A métrica, portanto, deixa de ser o pico de acessos em uma semana e passa a ser a constância de parceiros que falam com credibilidade ao mesmo público que a empresa deseja atingir.
Para blogs, criadores de conteúdo e times de marketing digital, a lição é clara: o ROI real de uma parceria não se mede apenas pelo CPM ou pelos cliques instantâneos, mas pela construção de rede e pela soma de micro-interações que criam confiança ao longo do tempo.
Imagem: Internet
Além do Roteiro Tradicional: Por que Começar pelo Fim Pode Redefinir suas Estratégias de Conteúdo
Virar a lógica de cabeça para baixo faz sentido por três razões estratégicas:
1. Ganho de autoridade compartilhada. Ao entrevistar um especialista reconhecido, a marca se associa ao conhecimento dele e amplia sua própria legitimidade. Para quem publica em WordPress, por exemplo, esse tipo de citação qualificada eleva o E-E-A-T (Experience, Expertise, Authoritativeness, Trust) que o Google tanto valoriza.
2. Menos fricção para o influenciador. Criar conteúdo demanda tempo — edição, roteiro, publicação. Ao entregar tudo pronto, você remove o principal obstáculo e transforma um pedido em presente. Isso aumenta a taxa de resposta positiva e o potencial de engajamento espontâneo.
3. Pipeline de colaborações futuras. A primeira entrevista serve como termômetro. Caso a sintonia seja boa, torna-se natural evoluir para webinars, co-criação de e-books ou, finalmente, campanhas patrocinadas. A audiência percebe uma história contínua, não uma inserção repentina, o que reduz a resistência ao conteúdo pago.
Num cenário onde usuários bloqueiam anúncios, algoritmos priorizam relevância e a saturação de publis prejudica a credibilidade, a estratégia de “construir relacionamentos ao contrário” oferece uma rota concreta para diferenciar seu projeto. Incentiva a pensar em parcerias como um ciclo — e não como um tiro único —, favorecendo quem aposta na constância e na autenticidade.
Em última análise, inverter a ordem é menos sobre ser rebelde e mais sobre alinhar incentivos: se o criador se sente valorizado e o público enxerga valor real, o conteúdo deixa de ser mera propaganda e volta a ser conversa. E, no fim das contas, é exatamente isso que o algoritmo — e as pessoas — querem consumir.