O iPhone Air chegou ao mercado carregando o rótulo de “iPhone diet” por ser o modelo mais fino já lançado pela Apple. Mas a verdadeira surpresa veio quando Zack Nelson, do canal JerryRigEverything, desmontou o aparelho peça por peça. O resultado? Um raro combo de elegância e reparabilidade em um produto da Apple — algo que interessa tanto a quem vive de tecnologia quanto a criadores de conteúdo que dependem de tempo de máquina e profissionais de marketing que calculam cada centavo do TCO (custo total de operação) dos seus gadgets.
Em vez de aquela “sanduíche de vidro” hermética típica da marca, o iPhone Air exibe um interior organizado, com componentes modulares e remoção de bateria sem drama. Para quem trabalha com blogs, AdSense ou produção de vídeo, isso significa menos downtime caso algum reparo seja necessário. E, para o mercado, sinaliza que o debate sobre direito ao conserto (Right to Repair) chegou à engenharia de Cupertino de forma mais séria.
Componentes bem distribuídos em um corpo de apenas 5,4 mm
Mesmo com espessura ultrafina, o layout interno do iPhone Air é quase didático: cada módulo fica separado por blindagens metálicas e parafusos de fácil acesso. Nelson destacou que a Apple evitou cabos “colados” e preferiu conectores padrão, o que facilita a troca individual de peças e reduz o risco de danificar algo ao abrir o aparelho.
Bateria removível sem adesivos teimosos
O teardown mostrou fitas de tração que soltam a bateria em segundos, sem a necessidade de solventes ou calor excessivo. Em aparelhos antigos da marca, esse processo era fonte de frustração — e de possíveis perfurações perigosas. Aqui, a remoção limpa abre caminho para substituir o componente à medida que sua saúde se deteriora, prolongando a vida útil do dispositivo de R$ 10.499 no Brasil.
Câmera Sensor-Shift solitária e alto-falante único
A Apple optou por uma única câmera traseira com estabilização Sensor-Shift, montada em um módulo igualmente fácil de retirar. O mesmo vale para o alto-falante inferior, recheado das tradicionais microesferas plásticas que evitam ressonância. A lógica é clara: menos módulos, menos espaço ocupado, menos calor — sem comprometer a manutenção.
Titânio na porta de carga e na moldura externa, feito em impressão 3D
Outra revelação foi o uso pontual de titânio: somente na parte externa da moldura e na porta USB-C, ambas impressas em 3D. É um compromisso curioso: mantém a robustez térmica onde realmente importa e, ao mesmo tempo, controla custos e peso dentro do corpo de alumínio.
Imagem: Internet
Reparar é lucrar: por que um iPhone mais “consertável” interessa além do usuário final?
Quando a Apple melhora a reparabilidade, não é apenas o técnico de assistência que vibra. Para criadores de conteúdo, um aparelho modular significa menos troca completa de dispositivo em caso de falha — algo que pesa no bolso e no cronograma de produção. Para publishers que dependem de AdSense, downtime zero é sinônimo de receita preservada: se você grava e edita no smartphone, um dia sem equipamento pode significar queda nas visualizações e, portanto, no faturamento.
No ecossistema Apple, a mudança também pressiona a concorrência: se o gigante de Cupertino passa a adotar design mais amigável ao conserto, fabricantes Android premium precisarão responder. Além disso, legislações pró-direito ao reparo estão avançando nos Estados Unidos e na Europa. A adoção de módulos substituíveis demonstra que a Apple preferiu se antecipar à regulamentação — e, de quebra, reforçar o discurso de sustentabilidade que agrada investidores.
Por fim, há um impacto direto na percepção de valor de revenda. Um iPhone que pode trocar bateria e porta de carga com facilidade tende a permanecer funcional por mais tempo, elevando seu preço no mercado de usados. Para quem pensa em ROI (retorno sobre investimento) antes de desembolsar R$ 10 mil em um telefone, esse é um argumento difícil de ignorar.
Se o iPhone Air for o primeiro de uma nova leva de aparelhos Apple pensados para durar — e não apenas para impressionar —, podemos estar diante de um ponto de inflexão: a era em que design ultrafino e direito ao reparo finalmente deixam de ser objetivos conflitantes.