Quem trabalha com conteúdo, estuda ou simplesmente quer uma segunda tela para maratonar séries se depara sempre com a mesma pergunta: qual tablet oferece a melhor experiência sem exigir um empréstimo bancário? A Samsung tenta responder a isso com o recém-chegado Galaxy Tab S10 Lite, uma versão enxuta do Tab S9 FE que desembarcou no Brasil poucas semanas após o anúncio global.
O modelo promete caneta S Pen na caixa, recursos de inteligência artificial e sete anos de atualizações de Android — um combo difícil de ignorar para designers, estudantes e criadores que dependem de hardware longevo. Mas onde a Samsung economizou para manter o preço na casa dos R$ 2,2 mil (já visto em promoções) e que impacto isso tem no dia a dia? É exatamente o que vamos destrinchar a seguir.
Design sóbrio e tela LCD de 90 Hz: boa para produtividade, mas sem o brilho do AMOLED
Visualmente, o Tab S10 Lite recicla o corpo de alumínio que vimos no Tab S9 FE. Ele tem 6,6 mm de espessura e pesa 524 g — nada que canse o braço rapidamente, mas mais pesado que o antecessor FE. O acabamento fosco passa sensação premium, porém a ausência de certificação IP68 e de leitor de digitais evidencia onde a fabricante cortou custos.
Na parte frontal, o display LCD de 10,9 polegadas roda a 90 Hz com resolução de 2112 × 1320 píxeis. A taxa de atualização garante rolagem mais suave que os 60 Hz tradicionais, mas não chega à fluidez de painéis de 120 Hz encontrados em modelos topo de linha. O brilho e o contraste ficam abaixo de um AMOLED, mas permanecem aceitáveis para trabalho em ambientes internos.
Já o áudio sai por alto-falantes estéreo posicionados para não serem tampados quando o tablet está na horizontal. O suporte a Dolby Atmos ajuda a calibrar frequências, oferecendo volume satisfatório, ainda que graves profundos não marquem presença.
Exynos 1380 sob o capô: multitarefa ok, jogos em equilíbrio
Por dentro, o Exynos 1380 trabalha com opções de 6 GB ou 8 GB de RAM e até 256 GB de armazenamento, expansível via microSD. Nos testes de benchmark, o aparelho alcançou quase 730 mil pontos no AnTuTu, superando em cerca de 145 mil pontos o Tab S9 FE equipado com o mesmo processador — um salto atribuído a otimizações de software.
Na prática, apps de redes sociais, edição de documentos e streaming rodam sem engasgos. Jogos casuais como Subway Surfers e Mario Kart Tour mantêm 60 fps estáveis. Títulos mais exigentes, como Call of Duty Mobile, funcionam em qualidade Alta com quadros Muito Alta; já PUBG chega a HDR/Ultra. O aquecimento fica dentro do aceitável, sem throttling perceptível.
O software merece destaque: o tablet sai da caixa com Android 15 e a promessa de sete anos de updates, algo raro na categoria. Essa longevidade — somada à caneta S Pen e aos recursos de IA (Apagador de objetos, Ler em voz alta, integração com Gemini) — interessa a quem utiliza o dispositivo para anotações, ilustração ou edição rápida de imagens.
Bateria grande, carregador tímido e câmeras básicas
A célula de 8 000 mAh rendeu cerca de 11 h45 min de streaming contínuo em testes a 50 % de brilho e 25 % de volume, número inferior às 16 horas prometidas pela Samsung, mas ainda suficiente para cobrir um dia típico de trabalho ou estudo.
Imagem: Internet
O carregamento suporta até 25 W, contudo o adaptador que vem na caixa entrega apenas 15 W. Resultado: quase 3 horas na tomada para recuperar 100 % da carga. Quem precisar de recargas rápidas terá de investir em um carregador mais potente.
No departamento de câmeras, não há surpresas: sensor traseiro de 8 MP e frontal de 5 MP filmam em Full HD a 30 fps. Fotos diurnas têm cores vibrantes e nível de detalhe aceitável, mas o ruído noturno salta aos olhos. A ausência de câmera ultrawide e de gravação 4K confirma que fotografia não é prioridade aqui.
Preço e rivais diretos: Tab S10 FE e iPad de entrada
Lançado por R$ 2 800 mas já visto perto dos R$ 2 200, o Tab S10 Lite briga com o próprio Tab S10 FE, que custa algo semelhante e adiciona leitor biométrico, proteção IP68, câmera frontal ultrawide e desempenho ligeiramente superior, ainda que mantenha o mesmo painel LCD.
No universo Apple, o iPad de 11ª geração cobra mais, entrega tela de 60 Hz e dispensa a caneta na caixa, mas pesa menos e se sai melhor em fotos e vídeos. A escolha, portanto, depende de onde o usuário valoriza cada centavo investido.
Lite, mas não tão leve: a estratégia da Samsung e o que ela sinaliza para criadores e profissionais
O Galaxy Tab S10 Lite revela um movimento claro da Samsung: popularizar recursos antes restritos a linhas premium — S Pen, IA embarcada e ciclo de suporte longo — ainda que isso signifique comprometer pontos como biometria e proteção IP. Para quem produz texto, arte ou vídeos curtos, o pacote faz sentido: a caneta e as funções de IA reduzem atritos no fluxo de trabalho, enquanto os sete anos de updates garantem segurança e compatibilidade por quase toda a década.
Por outro lado, a empresa aceita deixar brechas para modelos superiores (Tab S10 FE e Tab S10 “padrão”) ao limitar a taxa de atualização a 90 Hz, entregar câmeras básicas e incluir apenas um carregador de 15 W. Essa “lacuna estratégica” serve a dois propósitos: evita canibalizar opções mais caras e cria degraus de preço que atendem bolsos diferentes dentro do ecossistema Galaxy.
Em resumo, o Tab S10 Lite não pretende ser o tablet perfeito: ele mira o suficiente para satisfazer produtividade, estudo e lazer, oferecendo IA e S Pen como diferenciais tangíveis. Se essas ferramentas são centrais no seu dia a dia e você pode conviver com LCD de 90 Hz, recarga lenta e câmeras modestas, a equação custo-benefício tende a fechar. Caso contrário, o Tab S10 FE ou até um iPad podem representar investimentos mais alinhados ao seu perfil.