Se você acompanha o mercado de hardware para jogos — seja para relaxar depois de otimizar um site no WordPress ou para produzir conteúdo direto do sofá — talvez tenha estranhado os valores que a Microsoft e a Asus colocaram na etiqueta dos novos handhelds Xbox ROG Ally e ROG Ally X. A pré-venda começou hoje (25) em vários países, mas o preço bate em até US$ 999, o que deixa o portátil mais caro que um Nintendo Switch 2 e tão salgado quanto um Xbox Series X em algumas regiões.
Os aparelhos prometem unir a mobilidade de um console portátil ao poder de um PC gamer compacto, algo que interessa não só a jogadores hardcore, mas também a criadores que precisam capturar gameplay ou testar aplicativos em múltiplas plataformas. A questão é: o investimento faz sentido? Antes de chegar na análise, vamos aos fatos confirmados.
Quanto custa e onde já está à venda
A pré-venda envolve Estados Unidos, Canadá, Austrália e parte da Europa, com lançamento global marcado para 16 de outubro. O Brasil ficou de fora da primeira leva, sem data ou preço oficial.
- Xbox ROG Ally: US$ 599 / € 599 / £ 499 / CA$ 799 / AU$ 799
- Xbox ROG Ally X: US$ 999 / € 899 / £ 799 / CA$ 1.299 / AU$ 1.599
Para efeito de referência, um dólar cotado a R$ 5,00 colocaria o modelo de entrada na casa dos R$ 3,2 mil e o topo de linha em torno de R$ 5 mil, sem impostos. No varejo paralelo, porém, o ROG Ally X “solo” (vendido anteriormente pela Asus) já circula entre R$ 7 mil e R$ 13 mil, sinalizando que a chegada oficial dificilmente será amigável ao bolso.
O que há dentro de cada versão
O salto de preço não vem só do logo. O ROG Ally X ostenta o novo chip AMD Z2 Extreme — 8 núcleos Zen 5, 16 unidades RDNA 3.5 e TDP ajustável de 15 a 35 W. É, na prática, um mini-PC que cabe na mochila.
O irmão “básico” usa um AMD Ryzen Z2 A, com 4 núcleos Zen 2, 8 unidades RDNA 2 e TDP anunciado em 6-20 W, algo mais próximo do que se encontra no Steam Deck.
Ambos rodam uma versão do Windows redesenhada para navegação via controle, com promessa de gerenciamento de memória mais agressivo para jogos e de uma interface única que reúna Game Pass, Steam e outras lojas.
Imagem: Internet
Fatores externos que elevam o valor final
Além do hardware de ponta, três variáveis pesam no preço:
- Portabilidade custosa: condensar peças de PC em um corpo menor exige soluções térmicas e baterias premium.
- Câmbio e tarifas: o dólar valorizado e as tarifas sobre produtos chineses ainda vigentes nos EUA encarecem a cadeia.
- Posicionamento de marca: Microsoft e Asus miram o segmento premium, competindo com MSI Claw 8 AI Plus (US$ 999) e Lenovo Legion Go 2 (US$ 1.349).
Entre o hype e o bolso: como essa conta fecha?
Mesmo custando o equivalente a um console de mesa, a expectativa de mercado é que o design elogiado do Ally — mais leve que rivais e com grip confortável — atraia quem valoriza ergonomia em sessões prolongadas. Especialistas, no entanto, alertam que a demanda real vai depender de reviews independentes sobre autonomia de bateria e eficiência térmica, pontos críticos em handhelds potentes.
Portátil caro, mas estratégico: o que a Microsoft realmente quer ganhar?
À primeira vista, colocar um portátil acima de US$ 500 parece um tiro no pé. Mas a jogada atende a três objetivos menos óbvios.
- Expansão do ecossistema Game Pass – Mais aparelhos Windows sob a marca Xbox criam pontos de contato adicionais para a assinatura, ampliando o “tempo de tela” sem brigar diretamente com o Steam Deck.
- Teste de hardware modular – O chip Z2 Extreme inaugura uma geração de APUs híbridas que a AMD deve levar a notebooks finos. O Ally serve como vitrine — e laboratório — para essas soluções.
- Reposicionamento de valor – Em vez de brigar por preço com Switch ou PlayStation, Microsoft e Asus preferem se alinhar ao topo do mercado, onde margens são maiores e o consumidor tolera renovações anuais.
Em outras palavras, o ROG Ally não quer competir pelo bolso do usuário casual, mas ganhar o entusiasta que já investe em periféricos, streaming e upgrades constantes. Se essa estratégia vai se traduzir em vendas robustas ou ficar restrita a nichos, dependerá da percepção de desempenho no mundo real e, no caso do Brasil, de uma precificação menos punitiva do que a praticada no varejo paralelo. Por ora, o lançamento lança mais perguntas sobre o futuro do gaming portátil do que respostas definitivas — e é justamente daí que surge seu interesse estratégico.