Se você já se habituou a pedir “ok, Google” no celular ou no alto-falante inteligente, prepare-se para uma experiência parecida — e bem mais robusta — direto na tela grande da sala. O Google começou a liberar o Gemini, seu novo assistente baseado em inteligência artificial generativa, para aparelhos com o sistema Google TV. A movimentação mexe com três públicos de uma vez — usuários que só querem encontrar algo bom para assistir, criadores que disputam atenção na plataforma e profissionais de marketing de olho no comportamento da audiência.
Embora o Google Assistant já estivesse presente nas smart TVs, o Gemini promete mudar o jogo ao entender contexto, preferências e até diálogos mais complexos. Isso significa que as sugestões de filmes, séries ou vídeos no YouTube tendem a sair da zona do “mais do mesmo” para algo realmente personalizado. Na prática, estamos falando de uma camada de IA que cruza dados de consumo, comandos de voz e, claro, o gigantesco acervo de informações do Google.
Ativação continua simples, mas a inteligência vai além
Nada de novos comandos ou botões extras: para chamar o Gemini basta dizer “ok, Google” ou pressionar o microfone no controle remoto, exatamente como acontece com o Google Assistant. A diferença está no que acontece depois do comando. Graças ao modelo generativo, o assistente passa a interpretar perguntas complexas, como:
“Encontre algo para assistir com minha esposa. Eu curto dramas e ela prefere comédias leves.”
O resultado é uma lista conciliadora, fruto da análise de ambos os gostos e do catálogo disponível nos serviços de streaming já conectados à sua conta.
Do resumo de temporadas às dicas de receitas: o que o Gemini faz
Entre as novas habilidades destacam-se:
- Recapitulação de séries: peça um resumo da temporada anterior antes de começar a nova e receba um briefing direto na tela.
- Detalhamento de personagens: caso esqueça quem é quem, basta perguntar sobre um personagem específico para refrescar a memória.
- Recomendações amplas: sugestões de aulas, tutoriais e receitas vindas do YouTube aparecem sem necessidade de abrir o app de busca.
- Respostas instantâneas: dúvidas gerais podem ser solucionadas no ato, evitando aquela troca cansativa entre TV e celular.
- Controle de casa inteligente: lâmpadas, termostatos e outros gadgets continuam acessíveis por comandos em linguagem natural, com entendimento de contexto melhorado.
Modelos que recebem o recurso primeiro
A estreia acontece na smart TV TCL QM9K a partir de hoje. Até o fim do ano, a lista crescerá para incluir:
Imagem: Internet
- Google TV Streamer (dispositivo autônomo do Google)
- Linhas 2025 da Hisense — séries U7, U8 e UX
- TCL QM7K, QM8K e X11K 2025
- Outros fabricantes parceiros que ainda não tiveram nomes divulgados, mas deverão ser contemplados “nos próximos meses”, segundo o Google.
Como de costume, a liberação é gradual e acontece via atualização remota, sem intervenção do usuário.
Da Tela Pequena ao Sofá: por que a chegada do Gemini às TVs pode redefinir conteúdo, SEO e monetização
O movimento do Google leva a IA generativa para o dispositivo que mais concentra tempo de consumo de mídia: a televisão. Para o usuário comum, isso significa menos tempo zapeando e mais tempo assistindo algo que realmente interessa. Para criadores, a barra sobe: o conteúdo que não desperta engajamento logo de cara corre risco de ser preterido por sugestões refinadas do Gemini, que passa a atuar como um “curador automático” baseado em contexto.
No campo do marketing, a possibilidade de compreender solicitações complexas abre caminho para formatos publicitários contextualizados em tempo real. Imagine perguntar sobre “filmes de ficção científica com robôs” e, na sequência, ver um banner interativo de um novo game com a mesma temática. O ecossistema AdSense/Google Ads ganha, portanto, pontos de contato mais precisos dentro da experiência de TV.
Por fim, há um efeito colateral inevitável: quanto mais o assistente centraliza a jornada do usuário, maior a dependência dos dados que o alimentam. Isso reforça o poder do Google no funil de descoberta e, ao mesmo tempo, levanta questões sobre privacidade e transparência dos algoritmos — tópicos que criadores e profissionais de marketing precisam acompanhar de perto a partir de agora.
Em resumo, não é apenas um upgrade de assistente de voz; é a consolidação de um novo hub de recomendação e interação dentro da sala de estar, com impacto direto na forma como conteúdo é produzido, distribuído e monetizado.