Quem vive de salário apertado no Brasil sabe que manter o hobby de jogar videogame pode ser um luxo caro: lançamentos chegam a ultrapassar a marca dos R$ 400, enquanto quase 30% da população tinha, em 2022, renda de meio salário-mínimo por pessoa, segundo o IBGE. Não é surpresa, portanto, que a busca por títulos gratuitos continue alta — seja para relaxar depois do expediente, criar conteúdo no YouTube ou planejar estratégias de marketing em torno de streams e lives.
Nesta semana, uma mistura de gêneros — de MOBA a corrida de kart — está liberada sem custo em diferentes plataformas. A lista abaixo reúne cinco opções que podem ser jogadas no PC, nos consoles e até no celular, todas lançadas ou disponibilizadas gratuitamente em 20 de setembro de 2025. Confira o que vale testar antes que as ofertas expirem.
Project Winter: estratégia social em clima hostil
O que é: jogo de sobrevivência e dedução social para até oito pessoas, lançado em 2019.
Plataformas: PC via Epic Games Store (grátis até 25/09).
Diferencial: além de sobreviver à vida selvagem dos alpes, os participantes precisam identificar traidores infiltrados, à la Among Us.
Samorost 2: aventura point-and-click de outro planeta
O que é: clássico indie dos criadores de Machinarium, com arte 2D detalhada e puzzles acessíveis.
Plataformas: PC via Epic Games Store (grátis até 25/09).
Diferencial: narrativa contemplativa sobre um gnomo que viaja para resgatar o cachorro raptado por alienígenas.
Sonic Racing CrossWorlds: teste de pista sem pagar nada
O que é: demo do novo jogo de kart da SEGA.
Plataformas: PC e consoles (PlayStation, Xbox, Switch).
Conteúdo da demo: quatro personagens jogáveis, oito circuitos, 12 veículos, modos Grand Prix e Contra o Tempo.
Skate (Acesso Antecipado): manobras para 150 jogadores simultâneos
O que é: retorno da franquia da Electronic Arts após 15 anos, em modelo free-to-play durante o Early Access.
Plataformas: PC, PlayStation, Xbox.
Diferencial: mapa urbano expansivo e enfoque social, permitindo que centenas de skatistas online dividam o mesmo espaço.
Dragon Ball Gekishin Squadra: MOBA 4 × 4 no universo de Akira Toriyama
O que é: arena multiplayer no estilo League of Legends e DotA 2 com personagens icônicos de Dragon Ball.
Plataformas: Android, iOS, PC, PlayStation, Switch (gratuito em todas).
Diferencial: partidas curtas 4 × 4, transformações em tempo real e golpes especiais desbloqueados conforme o andamento do jogo.
Além do “zero reais”: como esses lançamentos moldam o mercado de games no Brasil
Os títulos gratuitos listados vão muito além de entretenimento passageiro: eles ilustram três tendências que merecem atenção de desenvolvedores, criadores de conteúdo e profissionais de marketing digital.
Imagem: Internet
1. Modelos de receita diversificados – Project Winter e Skate apostam no “free now, pay later” com vendas in-game ou passes de temporada. Esse formato reduz a barreira de entrada e amplia o público potencial, mas exige equilíbrio para não alienar jogadores que evitam microtransações abusivas.
2. Demonstrações como funil de engajamento – A demo de Sonic Racing CrossWorlds libera apenas parte do conteúdo, mas suficiente para gerar buzz orgânico em redes sociais, streams e artigos especializados. Funciona como amostra grátis: se o produto agrada, a conversão para a compra da versão completa tende a ser mais suave.
3. Expansão multiplataforma – O MOBA de Dragon Ball chega simultaneamente a mobile, PC e consoles, indicando que as editoras enxergam valor em ecossistemas cruzados. Para influenciadores e afiliados, isso significa audiência maior e campanhas segmentadas por dispositivo.
No fim das contas, a oferta de jogos sem custo imediato atende a um mercado que procura lazer acessível, mas também serve como laboratório de monetização. Quem cria conteúdo ou planeja estratégias de ads pode se beneficiar ao acompanhar de perto esses experimentos: eles revelam quais mecânicas conquistam (ou perdem) a atenção do público brasileiro.
Seja para economizar, gerar pauta para o próximo vídeo ou testar formatos de live, os cinco títulos da semana provam que o “grátis” continua sendo uma força motriz poderosa no ecossistema de games.