Velocidade, estabilidade e rapidez de resposta deixaram de ser métricas de bastidores para virar critério de sobrevivência na web. A prova mais recente vem do Core Web Vitals Technology Report, levantamento mensal mantido pela comunidade open source HTTPArchive. O relatório de julho coloca a plataforma Duda no topo do pódio, mostra uma arrancada surpreendente do Joomla e evidencia que o WordPress, apesar da sua onipresença, continua tropeçando em desempenho.
Para quem vive de sites — seja publicando conteúdo em WordPress, faturando com Google AdSense ou otimizando páginas de clientes — esses números vão além de curiosidade técnica. Eles revelam, na prática, qual CMS entrega experiência mais fluida ao usuário e, por consequência, maiores chances de engajamento, conversão e retenção de audiência.
De onde vêm os dados que expõem os CMS
O relatório combina dois grandes conjuntos públicos:
Chrome UX Report (CrUX): performance registrada por usuários reais que navegam com Google Chrome e optam por compartilhar estatísticas anônimas.
HTTP Archive: testes de laboratório que avaliam como os sites são construídos e se seguem boas práticas de otimização.
A fusão desses dados permite enxergar, com lupa, a performance entregue aos visitantes no mundo real, e não apenas em cenários de teste controlados.
Quem acelerou (e quem ficou para trás) de junho para julho
Confira as variações percentuais de sites considerados “bons” em Core Web Vitals, mês a mês:
#1 Joomla – +3,23%
#2 Wix – +2,61%
#3 Drupal – +1,47%
#4 Duda – +1,33%
#5 Squarespace – +1,27%
#6 WordPress – +0,90%
Embora todos tenham melhorado, a distância entre o melhor e o pior salto é considerável. O Joomla liderou a evolução, enquanto o WordPress registrou o avanço mais tímido.
Ranking geral de desempenho em julho
Quando olhamos a fotografia do mês, Duda mantém folga confortável:
#1 Duda – 84,96%
#2 Wix – 73,37%
#3 Squarespace – 68,93%
#4 Drupal – 60,54%
#5 Joomla – 54,78%
#6 WordPress – 44,34%
Imagem: Internet
Em outras palavras, sites feitos em Duda têm quase o dobro de probabilidade de entregar bons Core Web Vitals em comparação aos construídos com WordPress.
Mais rápido é igual a melhor? O que esses números realmente significam para o seu site
O primeiro ponto óbvio: performance é experiência. Uma página que carrega em milissegundos mantém o visitante navegando, reduz a taxa de rejeição e, em contextos de e-commerce ou captação de leads, aumenta conversões.
Mas há nuances importantes:
1. CMS não é destino final. Plugins, temas e hospedagem podem jogar a favor ou contra. Ainda assim, o fato de plataformas como Duda e Wix entregarem alta performance por padrão reduz o esforço de otimização para quem não quer — ou não pode — investir em stacks complexas de cache e CDN.
2. A “dívida técnica” do WordPress cobra juros. Nascido como ferramenta de blogs em 2003, o WordPress carrega camadas de código legado que exigem compatibilidade retroativa. Isso freia a adoção de padrões modernos e aumenta a dependência de plugins para resolver gargalos, o que, por ironia, pode agravar o problema.
3. SEO vai além de velocidade, mas velocidade ajuda a fechar venda. Sites em WordPress continuam ranqueando bem, o que sugere que o Google não pune diretamente um CMS específico. Porém, cada segundo extra de carregamento derruba conversões — e aí não há SERP que compense carrinhos abandonados.
4. Evolução mensal importa. Joomla mostrou que é possível dar saltos rápidos. Se WordPress mantiver ritmo modesto, a lacuna de experiência pode se tornar crítica, principalmente em mercados mobile-first onde a paciência do usuário é curta.
No fim das contas, escolher um CMS em 2024 deixa de ser apenas decisão de comunidade ou biblioteca de temas: torna-se escolha estratégica de UX e receita. Quem produz conteúdo ou vende online precisa pesar facilidade de uso, ecossistema e, agora mais do que nunca, métricas de desempenho que conversam diretamente com bolso e reputação digital.
Entender o relatório de julho não é apenas acompanhar uma corrida de números. É enxergar para onde o mercado está migrando e ajustar a rota antes que os usuários — e seus concorrentes — façam isso por você.