Sites criados “no feeling”, sem briefing detalhado nem horas de design, estão pipocando nas redes sob o rótulo de vibe coding. A proposta é simples: você descreve a ideia, a inteligência artificial gera o esqueleto do site e, em minutos, algo publicável aparece na tela. Mas será que essa agilidade sobrevive quando precisamos de blog estruturado, formulários ou carrinho de compras?
Para responder, um mesmo projeto — um site fictício de encanador, com página de serviços, formulário de contato e blog — foi construído quatro vezes: em Lovable, SeedProd (WordPress), Hostinger Horizons e Replit. Cronometraram-se tempo de criação, fricções de usabilidade e esforço para publicar em domínio próprio. A seguir, o que funcionou, onde cada plataforma travou e para quem elas realmente fazem sentido.
O que é vibe coding, afinal?
A expressão descreve o ato de criar sites guiados por IA a partir de prompt, sem planejamento exaustivo nem linha de código inicial. O resultado sai rápido, bom para prototipagem ou landing pages de ocasião. O preço da velocidade é previsível: menos controle estrutural, recursos avançados restritos e dependência do ecossistema que hospeda o construtor.
Como o teste foi conduzido
• Projeto: site de pequeno prestador de serviço (encanador) com home, serviços, blog e formulário de contato.
• Métricas avaliadas: tempo até primeiro layout, facilidade de customização, publicação em domínio próprio, integrações (e-commerce, SEO, formulários) e custo.
• Critério de nota: experiência de um usuário não programador, mas que conhece SEO, AdSense e rotina de conteúdo.
Lovable: velocidade extrema, personalização limitada
Em menos de cinco minutos, Lovable entregou site completo, com texto e imagens de nicho. Falhou em detalhes de UI — botão de CTA invisível pela cor — e não possui editor drag-and-drop; ajustes só via prompts ou edição manual de código depois da exportação. Publicar exige plano Pro (US$ 25/mês) ou baixar o projeto via GitHub, etapa intimidadora para iniciantes. Integração nativa com Supabase é interessante, mas encarece ao somar domínio e banco.
SeedProd: IA + WordPress para sites profissionais
SeedProd gerou o layout em 33 segundos e, por ser um plugin de WordPress, traz editor visual completo. O site importado pode ganhar reservas, e-commerce (WooCommerce), SEO avançado (AIOSEO) e qualquer plugin do repositório. A contrapartida é precisar já ter hospedagem WordPress e adquirir o plano Plus (US$ 99,50/ano) para liberar o construtor de temas.
Imagem: Internet
Hostinger Horizons: tudo-em-um para páginas básicas
Horizons combina geração por IA e hospedagem gerenciada em um só pacote (a partir de US$ 6,99/mês, domínio incluso no anual). A primeira versão sai rápido, e textos ou imagens podem ser trocados com cliques. Porém, alterações estruturais dependem de prompts, limitados por franquia mensal. Integra Stripe, AdSense e Mailchimp, mas não entrega blog dinâmico pronto: posts exigem edição de arquivos ou banco manual.
Replit: liberdade total para quem fala código
Voltado a desenvolvedores, Replit levou cerca de 25 minutos para gerar o site e já sugeriu banco, autenticação e até seção de depoimentos. O usuário recebe código completo e pode debugar com ajuda da IA. Publicar é simples — mas caro — no próprio Replit, ou barato e manual em servidor externo. A pilha tecnológica criada é robusta demais para quem só queria uma página institucional, mas ideal para apps ou dashboards customizados.
Além do Rascunho Rápido: onde cada ferramenta se encaixa na sua estratégia digital?
• Protótipo relâmpago: Lovable brilha quando a pressa supera a necessidade de recursos. Pense em landing pages de campanha ou portfólios efêmeros.
• Site que possa crescer: SeedProd oferece o trampolim entre rascunho e presença profissional, pois herda todo o ecossistema WordPress sem sacrificar a rapidez inicial da IA.
• Página enxuta com tudo hospedado: Hostinger Horizons resolve quem quer domínio, SSL e edição básica num só painel, desde que e-commerce e blog complexos não estejam no radar imediato.
• Ferramentas e web apps: Replit é a escolha de quem precisa banco de dados, automação ou lógica de negócio além do front-end — e não teme mexer no código.
Vibe coding entrega, sim, um atalho real, mas não elimina decisões estratégicas. Escolher a plataforma certa depende de quão longe você pretende levar o projeto: do MVP que pode morrer amanhã ao site institucional que precisa escalar conteúdo, SEO e monetização nos próximos anos.