Todo profissional que depende de visibilidade online — do blogueiro solo ao estrategista de SEO em grandes empresas — precisa entender para onde a atenção do público está migrando. O relatório mais recente da Ahrefs analisou 9,6 milhões de consultas no ChatGPT e descobriu quais domínios aparecem com mais frequência nas respostas da IA. O resultado? Um ranking de 50 veículos que, além de influentes entre leitores humanos, agora funcionam como atalhos para aparecer nos outputs de ferramentas de IA generativa.
Se antes bastava conquistar um backlink em um grande portal para ganhar autoridade, hoje a lógica inclui também ser citado pela IA. Para quem trabalha com marketing de conteúdo, monetização via WordPress ou programas de afiliados, esse é um jogo duplo: a menção impulsiona o tráfego direto e aumenta as chances de seu nome ressurgir em chats, plugins e assistentes baseados no modelo da OpenAI.
Como a Ahrefs chegou a essa lista
A equipe utilizou o Brand Radar, banco de dados que monitora menções em IA, exportando os 1.000 domínios mais citados. Em seguida, filtrou aqueles que demonstram aceitar pitches de marcas. Dois critérios nortearam a triagem:
1. Busca por “According to” no Google: o termo indica, de forma ampla, quando um veículo faz referência a fontes externas — marcas incluídas. Só entraram na lista publicações que já mencionaram empresas em matérias ou guias.
2. Verificação manual nos sites: quando havia dúvida, os pesquisadores consultaram páginas de contato, mídia ou editorial para confirmar se o veículo aceita colaborações, press releases ou artigos de especialistas.
Os 50 campeões de citações em ChatGPT
No topo do ranking estão gigantes do mainstream, como Forbes (52.764 menções), Business Insider (41.387) e The Spruce (39.545). Mas o dado que salta aos olhos é a concentração de domínios pertencentes a um mesmo grupo editorial:
• People Inc. controla 16 dos 50 sites listados — entre eles, The Spruce, InStyle e Health.com.
• Condé Nast emplaca títulos como Wired, Vogue e GQ.
• Future plc aparece com TechRadar, Tom’s Guide e Who What Wear.
Além dos generalistas, publicações verticais marcam presença: Car and Driver (automóveis), Architectural Digest (design) e WebMD (saúde), comprovando que a IA não prioriza apenas alcance, mas também autoridade temática.
Principais descobertas para quem trabalha com PR e SEO
54% dos 100 domínios mais citados aceitam pitches: a porta está aberta para emplacar menções capazes de escalar junto com a IA.
Imagem: Louise Linehan
Priorizar visibilidade não basta; contexto importa: aparecer num site verticalizado e confiável pode pesar mais para o algoritmo do que ser citado num veículo genérico de alto tráfego.
Grupos editoriais são alavancas: ao conquistar um título da People Inc. ou da Condé Nast, a chance de sindicação interna aumenta, multiplicando a exposição em ChatGPT.
Nem todo canal clássico de PR precisa de pitch formal: PR Newswire, por exemplo, redistribui releases, enquanto WebMD remunera especialistas — caminhos alternativos para inserir a marca no loop de IA.
Do link building ao “AI building”: por que essas 50 URL valem ouro para a sua estratégia
A descoberta da Ahrefs reforça uma mudança estrutural no marketing digital. Até ontem, a métrica de sucesso era o backlink em domínios com alto Domain Rating. Hoje, a equação inclui probabilidade de citação por modelos de linguagem. Quando ChatGPT recorre repetidamente a um site, sinaliza que o conteúdo ali é confiável para respostas futuras — e, por extensão, para qualquer aplicação baseada no mesmo conjunto de embeddings.
Para publishers independentes, isso significa que conquistar espaço nos veículos do top 50 transforma-se em vantagem competitiva duradoura: cada nova consulta de usuário que gere uma resposta contendo a sua marca é exposição gratuita, sem depender de cliques orgânicos ou anúncios. Já para empresas de mídia, o dado cria pressão para manter padrões editoriais altos; afinal, ser “desranqueado” pela IA pode significar perder relevância num ecossistema inteiro.
Em resumo, o ranking não é apenas uma lista de alvos para sua próxima pauta. Ele traduz a convergência entre SEO tradicional, relações públicas e inteligência artificial. Quem entender — e agir — primeiro terá seu nome ecoando não só nos buscadores, mas também em todas as interfaces conversacionais que estão surgindo.