Aceleração 3I/ATLAS: desgaseificação explica fenômeno
Aceleração 3I/ATLAS intrigava astrônomos desde que o cometa interestelar apresentou um ganho de velocidade que não podia ser justificado apenas pela gravidade. Agora, um artigo em pré-impressão no servidor arXiv mostra que a liberação de gases voláteis, processo conhecido como desgaseificação, responde por esse “empurrão extra”.
Estudo confirma jatos de gases como motor
Assinado pelo pesquisador Florian Neukart, da Universidade de Leiden, o trabalho combinou simulações termofísicas e o método de Monte Carlo para testar diferentes misturas de gelo. Os resultados indicam que menos de 1% da superfície do 3I/ATLAS — terceiro visitante interestelar registrado, após ‘Oumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019) — precisa estar ativa para gerar a aceleração observada a 203 milhões de km do Sol.
Substâncias como monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO₂) aquecem, escapam em forma de jatos e funcionam como micro-propulsores naturais. Neukart destaca que teorias exóticas, como pressão da luz solar sobre objetos ultraleves ou tecnologias alienígenas, não são necessárias. “Um mecanismo convencional reproduz magnitude e direção da aceleração”, aponta o autor.
Observações recentes do radiotelescópio sul-africano MeerKAT reforçam a conclusão: moléculas de hidroxila (OH), produto da quebra da água, foram detectadas na coma do cometa, evidenciando intensa atividade de sublimação.
Por que a explicação importa para a ciência
Composto por material que se formou fora do Sistema Solar há bilhões de anos, o 3I/ATLAS oferece pistas sobre o nascimento de sistemas planetários em outras estrelas. Confirmar que sua aceleração deriva de processos físicos usuais ajuda a calibrar modelos de dinâmica cometária e descarta a necessidade de hipóteses especulativas, economizando tempo e recursos de pesquisa.
Além disso, entender a física dos cometas interestelares orienta futuras missões robóticas de exploração. A Agência Espacial Europeia, por exemplo, já analisa conceitos de naves que possam interceptar visitantes do tipo 3I; conhecer a intensidade dos jatos de gás é vital para cálculos de aproximação segura, como lembra o portal Space.com.
O 3I/ATLAS continuará sob monitoramento nos próximos meses, enquanto se afasta do Sol e ruma ao espaço interestelar. Novos dados poderão refinar as estimativas de composição e atividade superficial, mas, por ora, o mistério da “turbinada” está solucionado.
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Crédito da imagem: Olhardigital
Fonte: Olhardigital